Viagem de carro: um roteiro para conhecer o Jalapão de 4×4


Marcos Camargo (Jeep)

O coronavírus deu um pequeno consolação, e as pessoas começam a viver e planejar a vida no “novo normal”. Ainda é cedo para declarar o termo da pandemia, logo o ideal é ainda evitar o avião e optar por uma viagem de sege nestas férias. Selecionamos cá um roteiro para curtir com a família de sege, conhecendo as belezas do pouco espargido Jalapão. Não se esqueça de fazer uma revisão no sege antes de ir (veja cá algumas dicas).

Mais de 500 km de estradas, basicamente de areia – ora misturada com terreno, ora com cascalho e pedras maiores, daquelas que cortam pneus e furam o cárter (as duas coisas aconteceram, por inexperiência). Pequenos riachos pra cruzar e muita poeira. Muita mesmo. Poeira fina, pior que neblina, daquelas que, com um sege primeiro, não te deixa ver 5 metros adiante. Off-road? Teoricamente não. São as rodovias do Tocantins que levam ao Jalapão, um “termo de mundo” no meio do Compacto. Uma façanha na qual ter tração 4×4 é quase obrigatório.
A recompensa? Depende. Para muitos é a própria viagem – em nosso caso, ao volante do “Jeep-inho” Renegade e de seu irmão Compass. Ambos nacionais, ambos com motor 2.0 turbodiesel, câmbio automático de nove marchas e tração 4×4 com seletor de terreno. Para outros – e para todos, na verdade –, a natureza fantástico do Jalapão, os cenários selvagens da desconhecida região.
COMEÇANDO A VIAGEM
O ponto de partida para a viagem de sege pelo Jalapão é Palmas, capital do Estado. Uma cidade planejada, com avenidas amplas ligadas por rotatórias e praias de rio nas proximidades. É bom transpor cedo, pois até Mateiros – vilarejo que fica no coração do Jalapão e base ideal para explorar a região – são muro de 350 km pelo setentrião do Parque Estadual. Parece pouco, mas, dadas as condições das estradas, o ritmo é lento: na areia/terreno as médias não passam dos 40 km/h.

O asfalto começa muito bom e o Compass segue sólido e sombrio pelas curvas suaves da TO-010, cortando a pequena Serra do Lajeado (sem nem sentir as subidas, graças ao bom torque), e depois pela TO-020 até a cidadezinha de Novo Pacto. Lá há um posto de combustível – e no Jalapão é bom abastecer sempre, ainda que esteja em modelos econômicos porquê esses Jeep (nosso Compass fez ótimos 13,5 km/l no primeiro trecho).
+Viagem de sege: seis roteiros para curtir o “novo normal”+Carruagem usado e seminovo segue em subida: comprar ou vender?+Jeep Compass vs. Ford Territory e Chevrolet Equinox (comparativo)+Avaliação: Chevrolet S10 2021 evoluiu mais do que parece
Já de tanque pleno, é hora de encarar os primeiros 150 km de areia, terreno e cascalho até São Félix do Tocantins, um bom lugar para fazer o almoço. O Compacto é muito seco, ainda mais na estação de seca. A paisagem é dominada por árvores baixas e retorcidas, mas tem belas formações rochosas sedimentares e Veredas – regiões à margem de rios onde a chuva torna a vegetação mais superabundante, onde crescem os famosos Buritis (palmeira).
CAMINHO DIFÍCIL
Nos trechos de areia mais fofa – alguns deles aparecem totalmente de surpresa, e muitas vezes são bastante longos – o selec-terrain no modo Sand (areia) segura as trocas de marchas, mantém a rotação subida e deixa o acelerador mais sensível e a turbina sempre enxurro. Dá para sentir o Jeep “organizando” a tração, superado tudo com facilidade. O negócio é nunca parar. A reduzida – na verdade a primeira das nove marchas, normalmente não é usada – quase nem foi necessária.

Saindo de São Félix pela TO-110,  pulamos o Fervedouro Bela Vista e a Cascata do Prata e 57 km de poeira depois chegamos à bela Cascata do Formiga. Em meio à uma superabundante mata, tem queda pequena, mas a encantadora piscina procedente de chuva azul-esverdeada (surpreendentemente quente) é ótima para nadar e refrescar do calor que, mesmo na estação “amena” supera 40oC.
Mais 10 km nesta viagem de sege e chegamos ao Fervedouro do Ceiça, uma incrível nascente do Jalapão em meio a bananeiras que forma um poço “sem fundo” de chuva azulada: ela brota com tanta pressão que é impossível soçobrar; tentando fazer isso, você começa a entrar em uma mistura de areia e chuva, mas é imediatamente “repelido” para a superfície. Uma experiência única.
Perto dali, vale a pena passar no povoado de Mumbuca, onde a Cooperativa das Artesãs do Capim Dourado produz de tudo com o capim da região e vende os produtos em uma lojinha com preços convidativos. Depois, são mais 33 km até Mateiros – os piores até logo. Já à noite, seguimos em uma areia fofa que prega alguns sustos – porém, ninguém chega nem perto de atolar. Nesses trechos, o consumo cai bastante, para a fita (ainda muito boa) de 8 ou 9 km/l.

A Pousada Santa Helena do Jalapão é uma boa opção em Mateiros. No dia seguinte, saímos cedo de volta a Palmas, agora pelo sul (TO-255). Seriam 305 km, mas com desvios para estradinhas menores e duas paradas dentro do Parque Estadual. A primeira, com 33 km, nas Dunas Douradas do Jalapão – superabundante formação com dunas e piscinas naturais onde vale passar o dia inteiro, mas um 4×4 é (literalmente) obrigatório para os 5 km entre a ingressão e o estacionamento. A segunda, 90 km depois, na deliciosa Prainha do Rio Novo (para nadar) e na enorme Cascata da Velha (para ver).
Mais 242 km de viagem de sege nos levam de volta a Palmas. Nosso ritmo no Jalapão foi apressurado – mais de doze horas entre volante e caminhadas em cada um dos dois dias. Se puder, vá com mais tempo. Há muito para ver. Uma experiência única que vai fazer seu SUV se sentir necessário. Mas não pode ser qualquer um. Precisa ser valente e ter tração 4×4. Precisa ser um SUV raiz.

Veja também
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Mulher finge ser agente do FBI para conseguir comida gratuito e vai presa
+ MasterChef: Fogaça compara prato com comida de cachorro
+ Zona Azul do dedo em SP muda dia 16; veja porquê fica
+ Veja os carros mais vendidos em outubro
+ Baleia jubarte quase engole duas mulheres em caiaque; veja o vídeo
+ Conheça o phloeodes diabolicus “o besouro indestrutível”
+ Estudo revela o método mais saudável para cozinhar arroz

+ Eructar muito pode ser qualquer problema de saúde?
+ Tubarão é tomado no MA com sobras de jovens desaparecidos no estômago
+ Cinema, sexo e a cidade
+ Invenção oficina de cobre de 6.500 anos no deserto em Israel





Fonte

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

3 × três =