Exclusivo: como Prost fez Senna perder o contrato com a Ferrari


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Ainda hoje, mais de 25 anos posteriormente sua morte, Ayrton Senna da Silva continua sendo um ídolo memorável. Em sua curso na F1, com duração de pouco mais de dez temporadas, ele competiu pela Toleman, Lotus, McLaren e Williams, participando de 161 Grand Prix, vencendo 41 e conseguindo a pole em 65. Com a equipe de Ron Dennis, ganhou os títulos mundiais de 88, 90 e 91
Ayrton Senna quase correu pela Ferrari. Cá, com informações exclusivas, explicaremos porque o projecto deu incorrecto. Mas, para explicar tudo que aconteceu, antes precisamos voltar no tempo. Estamos em julho de 1990, pouco mais de trinta anos detrás. A Fórmula 1 vive há algumas temporadas uma enorme e formidável rivalidade entre dois grandes campeões, Ayrton Senna e Alain Prost.
Ambos, nos últimos dois anos, estavam competindo, e quase sempre vencendo, na McLaren-Honda – além de lutando ferozmente entre si. O brasiliano, que acabara de se juntar à equipe, ganhou o Campeonato de 1988; o francesismo, que já havia sido vencedor em 1985 e 1986 pela equipe de Ron Dennis, também venceu em 1989 graças ao incidente em Suzuka com Ayrton, que foi desqualificado logo posteriormente o final da corrida.
O clima ruim na equipe levou Prost a admitir a oferta de Maranello, e mudar para a Ferrari no campeonato de 1990. Mas, para a Ferrari, “somente” Prost não bastava. E, graças a Cesare Fiorio, um habilidoso funcionário da marca, a assinatura de Ayrton Senna foi colocada no final do contrato proposto a ele para se colocar a serviço da Ferrari na temporada seguinte.
Não foi uma negociação fácil, nem curta, porque, posteriormente um primeiro contato em Montecarlo, em 1989, Fiorio partiu para o ataque a Ayrton Senna na segunda-feira, 26 de março – imediatamente posteriormente o final do GP do Brasil, vencido por Alain Prost com a Ferrari.
“UMA ESCOLHA REALIZADA POR AGNELLI NÃO PODIA SER DISCUTIDA”Piero Fusaro (presidente da Ferrari, 1988-1991)
 
Depois de se render em 1992 a 1993 à superioridade de Mansell e Prost na Williams, Senna decidiu se mudar para a equipe de sir Frank: uma escolha infalível para ele
A partir desse momento, foram mais de três meses para tecer o congraçamento que, envolvendo os principais astros da categoria, tinha que ser negociado tanto em termos de direitos – remuneração, benefícios, prêmio pela conquista do título, espaços para patrocinadores pessoais no macacão e penacho – quanto de deveres.
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Senna, uma vez que todos sabem, era uma pessoa que não desistia de zero: atencioso, pormenorizado, perfeccionista e, supra de tudo, muito exigente. Em uma outra segunda-feira, 9 de julho, logo posteriormente o GP da França, uma vez que sempre vencido por Prost (nas corridas, coincidências não parecem aleatórias), Ayrton concordou com os termos do contrato que faria com a Ferrari e Fiorio, todo-poderoso no que se tratava de competições, chegou a enviá-lo ao comando da Ferrari – e, é simples, também o do grupo Fiat.
França,1990: Prost, de Ferrari, e Senna, de McLaren, sobem no pódio
O presidente responsável por assinar o tal contrato era o engenheiro Piero Fusaro, dirigente da Fiat por longo e sólido período, que já havia sido chamado no pretérito por Enzo Ferrari para comandar a equipe do Cavallino – e que havia ascendido rapidamente em Lingotto na quadra de ouro de Vittorio Ghidella, dirigente que conseguiu levar a marca de Turim ao primeiro lugar entre os fabricantes europeus. Fusaro assumira a presidência da Ferrari em dezembro de 1988, posteriormente a morte do fundador, e respondia somente ao chefão, possuinte da Fiat, Gianni Agnelli e seu braço recta, o varão mais poderoso de todo o grupo, Cesare Romiti.
Até aí, os fatos são conhecidos, pelo menos desde que, somente em 2011, Cesare Fiorio decidiu tornar pública essa negociação, que havia ficado escondida por mais de vinte anos, e trazer à luz o contrato apresentado e assinado por Senna. Fusaro ainda hoje é um padrão de dirigente sênior da “escola Fiat”, leal ao obrigação e de poucas palavras, porque sempre coloca a empresa em primeiro lugar, subordinando a ela todo o resto. Quanto ao motivo pelo qual ele não pegou sua caneta-tinteiro e fez oriente congraçamento funcionar, ele nunca deu sua versão, assim uma vez que nunca respondeu às numerosas, e muitas vezes venenosas, suposições que circulavam a reverência dele.
UMA NOVA REVELAÇÃO
Trinta anos depois, quando essas notícias já viraram história, o ex-presidente se manifesta claramente e dá sua versão, com revelações de grande interesse, que lançam uma novidade luz sobre a controversa história e tornam ainda mais doloroso o fracasso na epílogo deste congraçamento.
“O contrato já estava em minhas mãos”, revela Fusaro, “mas Alain Prost (que liderava o campeonato de pilotos, um título que a Ferrari perseguia desde 1979), subvertendo totalmente a jerarquia, solicitou uma reunião reservada com Agnelli, que aceitou seu pedido. Posteriormente a reunião, o piloto francesismo declarou oficialmente que havia sido confirmado para seguir na Ferrari na temporada de 1991. Naquele momento, fiquei surpreso e, respeitando a jerarquia corporativa, consultei Romiti sobre a assinatura a ser adicionada ao contrato de Senna, até porque todos sabiam que a confirmação de Prost na equipe excluiria involuntariamente a possibilidade da presença do vencedor brasiliano. Tal confirmação se basearia na decisão atribuída a Agnelli – que, desconhecendo a negociação com Senna, não poderia proferir outra coisa ao piloto francesismo, que concorria ao título mundial. Diante da tergiversação do chefão do grupo, tive que me segurar, também porque a mudança de Ayrton para a equipe Ferrari, universalmente conhecida e querida em seu país, certamente significaria um retorno muito positivo para a imagem da Fiat no Brasil, onde o grupo tinha importantes instalações industriais”. E acrescenta: “Era uma veras que eu conhecia muito, pois no pretérito tinha, entre outras tarefas, responsabilidade sobre as empresas Fiat Auto na América do Sul, incluindo o Brasil, onde a marca era fortíssima. A repetida insistência, com considerações relativas ao escora à ratificação de um contrato no qual faltavam somente as assinaturas, continuou por visível tempo, culminando com um ‘não!’ e a confirmação de Prost – já que uma escolha que, certa ou errada, havia sido oficialmente atribuída a Gianni Agnelli, e por isso, não poderia ser colocada em discussão. A decisão final foi tomada pelo comitê executivo da Ferrari, constituído por Romiti, Fusaro, Luca Cordero di Montezemolo e Piero Ferrari, que compartilhavam as decisões estratégicas da empresa e sempre foram informados da evolução desta história. Fiorio era incessantemente posto a par de tudo, com toda a estima e consideração que lhe foram reservadas até 1985, o ano em que, tendo, entre outras, também responsabilidade pela Abarth, eu o nomeei diretor universal antes de enfim chamá-lo para Ferrari.”
A revelação do engenheiro Fusaro lança luz sobre um dos maiores mistérios da F1 e é reforçada pela confirmação do próprio Romiti, que contatamos antes de publicar esta reportagem. Um epílogo que certamente não consolará os decepcionados ferraristas, mas que ao menos explica por que o congraçamento do século não foi concluído.
O MONOPOSTO DE 1991O desequilíbrio do “caminhão vermelho”
Que Ferrari Senna pilotaria se tivesse mudado para a equipe de Maranello na temporada de 1991? O monoposto daquele ano, chamado internamente de 642, era uma evolução do 641/2 usado no campeonato anterior, com excelentes resultados, pois havia levado Alain Prost a vencer cinco GPs e disputar o título com Ayrton até a penúltima corrida (a disputa terminou com o acidente de Suzuka).
Ele foi, no entanto, um monoposto problemático, apesar da boa estréia em Phoenix, nos EUA, quando Prost conquistou o segundo lugar, logo detrás de Senna. Os defeitos que tinha, uma vez que explicou o diretor técnico da equipe Pierguido Castelli à Quattroruote, em uma estudo lúcida para a revista italiana (nossa parceira), sobre o 643: “O 642 tinha supra de tudo um problema de instabilidade aerodinâmica: sua eficiência (razão entre a resistência frente e a downforce) era boa, mas limitada a uma feição muito precisa. Cada variação de milímetros na profundidade do solo, devido à rugosidade das pistas, à inclinação delas ou ao esvaziamento dos tanques, correspondia a alterações no estabilidade, com quedas acentuadas de aderência na frente ou na traseira”.
Apesar de todos os esforços, Prost e seu companheiro de equipe Jean Alesi não conseguiram boas colocações no pódio. A crise final eclodiu no Japão, onde Prost declarou, no termo da corrida, que parecia encaminhar “um caminhão”: foi imediatamente destituído e substituído por Gianni Morbidelli, sexto posto na Austrália. Prost, logo, fez um ano sabatino antes de retornar à Williams e invadir o quarto título em 1993.
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