Câmbio automático caiu no gosto do brasileiro


Chamo isso de fenômeno. Os brasileiros aderiram com tudo ao câmbio automático, um quadro impensável dez anos detrás. Hoje as vendas de automáticos já superam por pouco as de manuais, pode-se considerar empate técnico.
Há razões para isso. Uma delas é a inegável comodidade de só precisar açodar e frear, respeitado principalmente nas áreas urbanas de trânsito denso ou congestionado que só vêm aumentando nas capitais e em muitas cidades país afora. Outra é carros com esse tipo de câmbio estarem mais acessíveis em preço e o câmbio automático já ter chegado aos compactos. Uma terceira desculpa é o progresso tecnológico que tornou o câmbio automático mais preciso e consideravelmente menos sujeito a falhas.
A tudo isso se junta a estratégia das fabricantes em tirar o câmbio manual da sua risco de produtos, principalmente das versões superiores. Em muitos casos não há mais escolha. Parodiando Henry Ford na questão das cores do Padrão T, “qualquer câmbio desde que seja automático.” A argumento da maioria das fabricantes é unânime, “o mercado foi quem decidiu”.
Aí pergunto: tem menos carros com câmbio manual porque a oferta diminuiu ou esta diminuiu porque o mercado desse tipo de câmbio encolheu?
Mas será que o caminho ao ostracismo do câmbio manual, do ponto de vista de utilização, se justifica? Em minha opinião, não. Houve progresso tecnológico nos câmbios manuais também. A era dos engates duros, difíceis, imprecisos, acabou. Indispensáveis nos câmbios manuais, as embreagens nunca foram tão macias exigindo muito pouca força para restringir o pedal. O que era geral no trânsito congestionado, despender muito esforço da perna esquerda, é pretérito.
Do lado positivo, o câmbio manual é um mecanismo simples comparado ao automático. Por esse motivo é de reparação mais fácil, com um universo de profissionais da mecânica muito mais espaçoso do que os capacitados para reparar câmbios automáticos.
Outra facilidade dos câmbios manuais está na escassez totalidade de controles eletrônicos, seu “software” é o motorista. Isso os disponíveis no Brasil, pois já existe câmbio manual em que numa redução de marcha o motor acelera involuntariamente para igualar rotação na marcha a ser engatada, porquê fazem os motoristas mais hábeis ou pilotos de corrida.
O câmbio manual é mais ligeiro e tem menos perdas internas, porquê não ter o esforço para bombear óleo para o conversor de torque e menor atrito das engrenagens.. Uma vez que isso, câmbio por câmbio, o desempenho do manual é maior e o consumo de combustível, menor..
Tome-se porquê exemplo o VW T-Cross com motor 200 TSI, 1-litro turbo de 116/128 cv (gasolina e etanol) e 20,4 m·kgf com qualquer combustível. Manual, aceleração 0-100 km/h em  10,0/9,6 segundos (gasolina/etanol); automático, 10,9/10,4 segundos. Velocidade máxima, manual 183/189 km/h; automático, 179/184 km/h,
Consumo de combustível, manual, 12,2/8,5 km/l (gasolina/etanol) na cidade e 14,5/10,1 km/l na estrada. Automático, 11,0/7,6 km/h na cidade e 13,5/9,5 km/h. na estrada. As diferenças são consideráveis.
Preços, manual R$ 91.660 e automático R$ 99.090, R$ 7.430 de diferença. Ambos os câmbios são de seis marchas.
Mas o T-Cross 200 TSI, independente do câmbio escolhido, não pode receber o opcional teto solar que o Comfortline de mesma motorização oferece, tampouco tem o útil controle automático de velocidade de cruzeiro, item de série na versão Comfortline.
 

Bob Sharp é jornalista, foi piloto de competição e teve três passagens pela indústria automobilística. É também o editor-técnico da CARRO e mais um enamorado por automóveis. Você concorda, discorda ou quer esclarecer qualquer objecto com o nosso colunista? Envie sua mensagem para: bob@revistacarro.com.br.




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